“Gosto de fazer as pazes com o nosso futuro. De
ter essa cumplicidade bonita, que só cresce. Gosto desse jeito manso que
você leva a vida, dessa alegria e desse jeito colorido de enxergar as
coisas. Gosto de conversar olhando nos seus olhos e entender o que sua
boca não consegue dizer. Gosto do beijo de boa noite antes de dormir e
do beijo de bom dia depois de acordar. Gosto de te ver perdido, de manhã
cedo, no meio de palavras que você esqueceu de conhecer. Gosto desse
amor que se renova, que nunca desbota ou amarela. Gosto de saber que no
fim de cada dia um abraço forte surge para mostrar que todas as coisas
ruins podem desaparecer. Gosto das suas cantorias esquisitas no
banheiro, das suas meias no cesto de roupa suja, do cheiro que fica no
seu travesseiro toda vez que você levanta pela manhã. Gosto do seu
gosto, da sujeirinha que fica nos seus olhos, dos seus cílios longos,
das suas unhas roídas pela ansiedade do acerto. Gosto do seu jeito
metódico de lavar a louça, de arrumar a mesa e de pendurar a toalha de
banho no varal. Gosto do seu tempero, do seu jeito de vestir a camiseta,
da sua forma organizada de dobrar as cuecas. Gosto de adivinhar qual
vai ser o seu próximo passo, de te conhecer tanto e de caber no seu
peito. Gosto de dizer que você faz tudo errado, por mais que você faça
tudo certo. Gosto de repetir todo dia para você não molhar o balcão da
pia. Gosto da nossa mania de nunca esquecer os dias importantes. Gosto
das nossas danças sem nexo na sala e na cozinha. Gosto de te descobrir
um pouco a cada dia e de saber exatamente o que você imagina.”
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